O que é hérnia de disco? Causa, prevenção e tratamento




Discos Intervertebrais


Os discos intervertebrais são estruturas cartilaginosas de pouca vascularização (circulação sanguínea), situam-se entre dois corpos vertebrais (anfiartrose) constituindo cerca de 25% do comprimento total da coluna vertebral. Variam de tamanho, de espessura e de formato, ou seja, suas características se dão conforme o segmento vertebral. Seus 23 discos estão localizados entre as vértebras. Eles se conectam com as vértebras por meio das placas terminais. Essas placas têm um papel fundamental com o envelhecimento e o desgaste dos discos e vértebras.



Composição do disco

O disco é composto de duas partes principais:


  • Núcleo pulposo ou líquido viscoso: Formado por uma estrutura gelatinosa transparente composta por 88% de água (proteoglicanos), que tem como principal função amortecer e absorver os impactos mecânicos (pressões e torções) gerados sobre a coluna vertebral, o qual é necessário para o suporte de peso, movimentação do tronco e ajuste de posição indispensável para equilíbrio e postura. Segundo Kapandji (2007), não foram encontrados em seu interior nervos e vasos.


  • Anel fibroso: Composto por uma sucessão de camadas fibrosas concêntricas de tecido fibrocartilaginoso (composto por colágeno) que formam um anel que mantém o núcleo na parte central e tem características elásticas que permitem e facilitam os movimentos de flexão, extensão e rotação do tronco.




CURIOSIDADE:

Com o avanço da idade e a vida agitada, ocorre a diminuição do condicionamento físico, alteração no padrão do movimento para a realização das atividades de vida diária, o que reduz a quantidade de água do disco, diminuindo assim sua capacidade de reação à compressão, acarretando maior suscetibilidade a lesões.

Sabemos que a coluna vertebral e seus discos têm como função primária proteger a medula espinhal e suas raízes, e esses desgastes poderão levar a compressões e atritos nessa estrutura neurológica provocando grandes prejuízos para o homem moderno como dores e incapacidades indesejadas.



Surgimento da hérnia de disco


Hérnia: substantivo feminino | Significado: projeção ou saída por meio de uma fissura ou orifício de uma estrutura contida.


Sabemos que o disco intervertebral é uma estrutura fibrocartilaginosa que contém um líquido gelatinoso no seu centro, chamado núcleo pulposo. O disco fica entre uma vértebra e outra da coluna vertebral. Esse anel fibroso, quando fissura ou está desgastado, permite que o líquido gelatinoso que está mantido no seu centro realize uma expansão ou abaulamento da sua estrutura que pode ou não se extravasar. Dependendo do local da saída desse “gel”, o paciente poderá sentir ou não fortes dores.


A hérnia de disco surge como consequência de vários microtraumas na coluna que vão, com o passar do tempo, desgastando a composição do disco intervertebral, ou pode ocorrer como resultado de um trauma severo sobre a coluna. Elas podem ser sintomáticas ou assintomáticas e vai depender do tamanho, do grau, do tipo e da localização do comprometimento radicular.



Hérnia de disco


Inicia-se com o surgimento de fissuras no anel fibroso, por onde o conteúdo gelatinoso nuclear pulposo infiltra, acometendo as raízes nervosas espinhais de diferentes formas e graus. Nesse processo, pode haver desde o abaulamento do disco, até o rompimento da parede discal com extravasamento do conteúdo nuclear para o canal medular. Estes eventos podem ocorrer em quatro zonas do disco e, dessa forma, provocar apresentações clínicas distintas. Os danos às raízes nervosas podem ocorrer de duas formas principais, seja através da compressão mecânica direta, seja através da irritação nervosa pela ação de mediadores inflamatórios liberados durante este processo. A hérnia de disco pode variar consideravelmente em termos de características histológicas e mudanças estruturais da matrix extracelular.


Conforme sua gravidade ou seu aspecto, a hérnia pode ser classificada em:


  • Abaulamento discal (protrusão discal difusa) – consiste numa protuberância circunferencial simétrica do disco; protrusão difusa do disco representa uma parte do processo natural de envelhecimento associado com a degeneração do disco.

  • Hérnia extrusa - (hérnia de disco, hérnia de núcleo pulposo [HNP], protrusão) - representa a migração focal de material nuclear que está contido pelas fibras externas do anel fibroso.

  • Hérnia extrusa com sequestro - (disco rompido, prolapso discal, fragmento livre, hérnia sequestrada, disco extruso, hérnia migrada): representa o material nuclear do disco que não está contido pelas fibras externas do anteroposterior fibroso. (causa mielopatia, pressão sobre a cauda equina, acarretando síndrome da cauda equina ou pressão sobre as raízes nervosas. A quantidade de pressão sobre os tecidos nervosos determina a gravidade do déficit neurológico).

Quanto à evolução podem ser agudas (com menos de 3 meses de evolução) ou crônicas, dependendo da localização abaixo:






  • Zona Central;

  • Póstero lateral;

  • Foraminal;

  • Zona extraforaminal.






Interessante saber: O disco propriamente dito não é inervado e, portanto, incapacitado de gerar uma sensação dolorosa, porém, existem os nervos sensoriais que inervam os ligamentos longitudinais anterior e posterior, os corpos vertebrais e a cartilagem articular das articulações facetarias. Se a hérnia desempenha uma pressão sobre a medula espinhal, sobre uma das estruturas do disco ou sobre um nervo raquidiano, pode resultar em dor ou dormência.



Sintomatologia

Algumas cursam assintomáticas.


A grande maioria comporta inúmeros sintomas característicos dos locais específicos de compressão ou irritação nervosa.


Os mais comuns são dores localizadas, normalmente, percebida como uma dor aguda, que se inicia de forma súbita e que pode irradiar da coluna para outras partes do corpo, ao longo da distribuição inteira da raiz envolvida ou afetar somente uma parte dessa raiz.


Outros sintomas podem incluir:

  • sensação de irradiação da dor para outros membros, como o braço, a mão ou a perna (dependendo da localização da hérnia de disco);

  • Parestesia e/ou paresia do membro acometido;

  • Fraqueza muscular;

  • cãibras;

  • ausência de reflexos;

  • travamento; etc.


Causas que favorecem a formação da hérnia de disco


A formação da Hérnia de disco é de caráter multifatorial e dentre os fatores que aceleram e contribuem para a formação podemos destacar:

  • Herança genética;

  • Envelhecimento natural dos discos vertebrais;

  • Sedentarismo;

  • Excesso de peso;

  • Má postura ao transportar cargas;

  • Movimentos incorretos;

  • Movimentos repetitivos e pesados;

  • Vibrações;

  • Disfunções biomecânicas não corrigidas;

  • Presença de anel defeituoso;

  • Quedas.


Como evitar hérnia de disco


Mudar o estilo de vida!

Atitude indispensáveis para evitar o surgimento da hérnia de disco.

Algumas orientações:

  • Evitar Sedentarismo;

  • Evitar pegar peso;

  • Evitar impacto;

  • Evitar a má postura;

  • Praticar movimento corporal: andar, correr, dançar, nadar, pedalar, arrumar a casa, subir e descer escada, etc (o movimento evita problemas futuros)

  • Praticar atividades física (musculação, Pilates, Fisioterapia Funcional, Treinamento fascial, etc)

  • Praticar uma dieta saudável;

  • Manter uma postura adequada.




Hérnia de disco tem cura?


A hérnia de disco apresenta diferentes fases de evolução.

Quando o nível de comprometimento da coluna não é crônico, temos opções de tratamento conservador, como administração de medicamentos anti-inflamatórios e relaxantes musculares prescritos pelo médico, técnicas de fisioterapia, podem ser adotadas com êxito.

Quando o nível de comprometimento da coluna é grave, onde nenhum procedimento conservador surte efeito, a cirurgia pode ser necessária para corrigir o problema.

Normalmente, a maioria dos casos de hérnia de disco podem ser tratados com garantia de sucesso, sendo necessária, contudo, uma manutenção de importantes hábitos ao longo da vida para evitar recidivas. O período de recuperação total é individual, ou seja, cada paciente evolui de acordo com suas condições, não existe um período padrão. Esse processo também vai depender do quadro da hérnia de disco submetido ao tratamento e do comportamento do paciente em obediência às orientações médicas.


Os números, sobre hérnia discal:

  • 15% da população mundial sofre com a hérnia de disco.

  • 80% dos casos se referem ao segmento lombar, nível de L4-L5 e L5-S1, seguidos pelos segmentos cervicais e torácicos.

  • 6 milhões de brasileiros sofrem com a doença

  • 70% da população brasileira com mais de 40 anos sofre de algum tipo de problema na coluna.

  • 95% das pessoas que sofrem com a hérnia de disco, o tratamento é conservador

  • 13% das consultas médicas envolvem dores na coluna.

  • 3ª causa de aposentadoria precoce.

  • 2° principal motivo das pessoas que tiram licença no trabalho.

  • 25-45 anos faixa etária que apresenta o maior índice de casos de hérnia de disco.


Dados, segundo as Pesquisas científicas


Segundo pesquisas, somente 10% dos casos de hérnia de disco precisam de cirurgia. E 90% é curada com tratamento conservador.


O que acontece, em geral, com as pessoas que sofrem com hérnia de disco é o encaminhamento para uma cirurgia corretiva. Como toda operação, esse procedimento implica riscos, como o de sofrer reações à anestesia ou ser vítima de infecções ou correr lesão nervosa.

Um estudo publicado na Revista da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos mostrou que está deveria ser a última possibilidade a ser cogitada. O trabalho afirma que cerca de 90% dos indivíduos portadores de hérnia de disco podem se recuperar com o uso de técnicas como fisioterapia, acupuntura, reeducação postural global (RPG) e analgésicos. Isso quer dizer que apenas 10% têm necessidade de fazer cirurgia. As pesquisas prévias sobre o tema foram amplamente revisadas, chegando, assim, a tal conclusão. No grupo de pessoas avaliadas, os que apresentavam recorrência da hérnia após a cirurgia eram, em sua maioria, jovens e pessoas que trabalhem com atividades que exijam esforço físico. O resultado vem ao encontro do que têm defendido especialistas no assunto.

pesquisa científica que foi iniciada em 1995 em Pittsburg, EUA, depois foi revisada em 2005 e 2010 e publicada nos principais jornais e revistas científicas do mundo. A pesquisa identificou que para cada tipo de dor existem diretrizes de tratamento a serem seguidas, ou seja, as manifestações dolorosas são classificadas e recebem tratamento específico, podendo ser: manipulação ou mobilização articular; a mesa de tração; exercícios direcionais; a estabilização segmentar vertebral e a estabilização dinâmica, que atuam fortalecendo a musculatura profunda da coluna. Esses são os quatro caminhos preconizados pela pesquisa de subclassificação.



Qual a maneira correta de dormir para quem tem hérnia de disco?


De lado: Para melhorar a posição, você deve colocar um travesseiro de corpo entre os joelhos e apoiar o braço que ficou em cima do corpo.


De costas: as costas devem estar totalmente apoiadas no colchão. Essa pode ser considerada uma das melhores posições. A medida proporciona uma distribuição adequada do peso do corpo, diminuindo os pontos de pressão e alinhando corretamente a cabeça, a coluna e o pescoço. Para melhorar a posição, você pode colocar também um pequeno travesseiro sob os joelhos e em qualquer outra lacuna formada entre o corpo e o colchão, como na parte inferior das costas.




Qual o tipo de exercício mais indicado para quem tem hérnia de disco?

O mais indicado é aquele que o paciente consegue realizar, sendo indispensável que um supervisor qualificado no movimento corporal, acompanhamento do movimento!


Método Pilates

Graças ao movimento de alongamento crânio-caudal, o método Pilates costuma ser efetivo nas dores causadas pela hérnia de disco porque os exercícios geram maior afastamento entre as vértebras, além de estimular a correção postural.

Os benefícios são adquiridos através da essência do método, que promove a estabilização da hérnia de disco, porque se fundamenta nas forças centrais do corpo – CORE – que inclui o complexo lombo-pélvico dos quadris, ou seja, grupos musculares centrais vão absorver grande parte do impacto, estabilizando as articulações da coluna, além de restabelecer os espaços intervertebrais através do fortalecimento e alongamento dos grupos musculares, resultando em uma maior proteção dos discos intervertebrais e alinhamento corporal.

èPesquisas mostram que pacientes que se utilizam da técnica do Pilates, citam o alívio das dores e incômodos na hérnia de disco lombar, além da recuperação do quadro de lombalgia crônica e elevado índice de satisfação com o tratamento.


Fisioterapia Funcional


A fisioterapia funcional (Método exclusivo do Espaço Chi Energia Vital) é caracterizada por mesclar diferentes capacidades físicas em um único exercício. Assim, o Fisioterapeuta, traça um programa de exercícios de reabilitação, que visa aprimorar todas as capacidades físicas do paciente, o foco passa de um grupo muscular isolado para todo o corpo, os movimentos trabalham a força muscular, a flexibilidade, o sistema cardiorrespiratório, a coordenação motora e o equilíbrio. Um dos princípios desse programa é recrutar a musculatura profunda, principalmente do core (multífidos, transverso do abdômen e pelve), para a estabilização e manutenção da postura da coluna vertebral para movimentos amplos ou pequenos.


Musculação

Indicado somente com supervisão de um personal trainer


Hidroterapia

Fisioterapia + hidroginástica


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Sabendo dessas informações, se estiver sentindo alguma dor e achar que tem a ver com hérnia de disco, Procure um médico e conte a respeito.

Precisando de tratamento ligue para nós.

Porém o melhor tratamento chama-se prevenção, então movimente-se.

#MovimentoéVida




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Até o próximo post.







Bibliografia

https://doi.org/10.1590/S1808-18512011000100010

https://doi.org/10.1590/S0102-36162010000100004

https://doi.org/10.5935/1806-0013.20160094

http://dx.doi.org/10.47822/2526-6349.2020v9n1p26

https://doi.org/10.24265/horizmed.2017.v17n4.10

http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S1646-21222018000300004&lng=pt&nrm=iso

https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-883477

Revista: Manual de diretrizes de codificação em cirurgia da coluna vertebral (Abril/2018)

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